Carta ao Editor

12 Jul

6º Encontro USP – Escola

“O ensino da escrita através dos gêneros textuais”
Profª Carla D’ Elia

Third Day

 

Part I – Carta ao Editor

     Caro editor,  a matéria sobre “Gêneros Textuais estão na moda” foi de grande valia para mim que sou professora e faço questão de colocar em uso tal temática e ainda mais esclarecedora para meus alunos da escola particular na qual leciono. Levei a matéria para a sala de aula e foi de grande proveito para o nosso debate sobre as funções e formas dos diferentes gêneros textuais, tipos textuais e domínio de discursos.
Porém, minha motivação em escrever esta não está relacionada ao meu trabalho na escola particular cuja clientela é muito bem preparada tanto pelo aparato pedagógico, desenvolvimento cognitivo como pelo vasto conhecimento de mundo deles proporcionado por seus pais, responsáveis e estilo de vida confortável. Na verdade, escrevo para pontuar as mazelas e dificuldades do outro lado da moeda: a escola pública e sua clientela.

Não generalizarei aqui minhas ponderações, pois não cabe à mim e nem tanto é esta a intenção. Mas, falarei em nome de uma maioria de professores que sente a dificuldade de ensinar de uma forma geral, qualquer conteúdo ou disciplina.

Ensinar com alguma função social é o que de fato faz da educação ser um ato político, educa-se, apresenta-se a possibilidade de diversos mundos e de conhecer-se melhor por meio dos estudos, leituras, reflexão para inclusive posicionar-se melhor perante o outro e a sociedade. Este é o mundo ideal de todo educador.
Porém, muito instigou-me quando foi falado em sua matéria sobre qual seria a função social de um “A personal statemment”. O aluno, no caso um adolescente (12-17 anos) usará isto na vida real? Para quê? Quando? Foi acrescentado ainda que toda atividade precisa de um propósito real, de vivência para que faça sentido para o aluno epara estar ali e querer realizar tal atividade.Sim, para um aluno que já saiba preencher um formulário, já tenha noção  ou consiga ler e interpretar um texto. Claro, atividades mais desafiadoras é um percurso natural do ser humano quando já foi alcançado tarefas anteriores. Daí sim, com certeza caberá ao professor ponderar se terá alguma função social x ou y exercício.

Mas, ainda não consigo entender porque as humanas insistem em colocar o tempo todo função nas atividades que muitas vezes não cabe tal reflexão. Colocar o aluno para fazer, refazer e fazer novamente um cálculo, uma conta de multiplicação é cabível, entretanto colocar o aluno para preencher formulários, fazer o cabeçalho todos os dias são base para começar sua própria organização em escrever e produzir conhecimento. Posso parecer demasiadamente reacionária ou conservadora, sim, estou. Mas, talvez, seja o momento de solicitar ou sugerir ajuda como o que fazer com alunos que não sabem dar sequência em sua escrita no caderno, exemplificando: eles escrevem numa folha até a metade e em seguida viram a  folha e continuam na  próxima página e não no verso. Seria bobagem o que estou falando? O que fazer quando se recebe um trabalho no qual não há capa, nem ao menos o nome e a série ou fonte de pesquisa?

Qual o problema em colocar esses alunos para fazer e refazer metodicamente a elaboração de um texto ou preenchimento de formulário simples ou de completar ss ou ç?

Enfim, às vezes nós das humanas pensamos muito em refletir e menos em colocar algumas atividade em prática de fato. Vale ressaltar que a clientela da escola pública não consegue realizar uma conta de adição simples quiçá abstrair para outros. Não sendo conformista, mas ponderando para começar do começo de fato algumas coisas, pois estamos aprovando progressiva e continuadamente os alunos sem base. Até que ponto vale à pena ir para abstração, reflexão se o concreto com eles não ocorre? Bom, mas aí já entraríamos em outra esfera, não?

2 Responses to “Carta ao Editor”

  1. Carla D'Elia July 12, 2013 at 10:48 pm #

    Uma pergunta para reflexão! Será que ao ensinar como fazer uma capa de um trabalho e que se termina de escrever em uma folha e depois vai pra outra também não é questão de gênero? Não é social? Por que usamos capas em trabalho? Pq fazemos cabeçalhos? Para identificar? Sem a capa, por exemplo, é possível saber quem foi o autor do trabalho/texto?
    Pode-se simplesmente pedir que se preencha um cabeçalho ou pode-se incluir nas instruções o porquê de se fazer um cabeçalho.
    Pensando em gênero como forma de viver, de agir no mundo, tudo existe com um propósito. Gosto muito do texto de Bazerman (what writing does and how it does it) para refletir a respeito do seu questionamento!
    Sei que não sou “the editor” do texto da sua carta, mas quis dar um leve pitaco a respeito!😉

    • priscillaparente July 15, 2013 at 1:25 am #

      super thanks!!! Vou ler o texto.

      ________________________________

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