Carta ao Editor | Programa Mais Médicos: quantidade é qualidade?

12 Jul

O artigo publicado no CM News no dia 11 de julho, deste ano, clipping do Ministério do Planejamento, retirado do jornal O Globo, é bastante esclarecedor.  Com o título ‘ Médicos se queixam de carência do SUS e de falta de diálogo com categoria’, o artigo apresenta a fala dos profissionais da saúde que dizem que ‘condições precárias no interior do país são obstáculo’.

Muito tem se discutido a respeito da saúde na vida dos brasileiros e brasileiras (expressão comumente usada por nossa presidente). A grande solução encontrada pelo governo foi de desmantelar com o curso de Medicina e aumentá-lo de 6 para 8 anos, onde nos dois últimos anos, os estudantes devem, obrigatoriamente, prestar serviços no SUS; a consequência disso demandará ‘ajustes’ na matriz curricular do curso .
Mas aí vai meu modesto questionamento a respeito dessa solução ‘mágica’: será que é isso mesmo que falta para que a saúde brasileira funcione, de fato, cumprindo com seu papel de atender os brasileiros e brasileiras?
A ‘ brilhante’ ideia veio da Europa, mais propriamente da Inglaterra e Suiça. Estamos, mais uma vez, nos espelhando em experiências de sucesso de um continente que não possui contexto sequer parecido com o nosso!
Mas isso não é tudo! Tem mais. O aspecto mais agravante que há no Programa é o fato que se não houver adesão de médicos brasileiros a ponto de  equilibrar a ordem na saúde pública, abrir-se-ão vagas para médicos estrangeiros… espanhóis e portugueses, é o que dizem.
Parece-me que o que está sendo esquecido nesta decisão é a questão da infra-estrutura do SUS. Profissionais  atuantes na área, como David Uip, Diretor do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, Roberto Kalil Filho, Diretor do Centro de Cardiologia do Sírio-Libanês, Adib Jatene, integrante da Comissão de Ensino Médico do MEC, José Carlos Trugilho, Diretor da Faculdade de Medicina da UFF, Marcos Junqueira do Lago, Vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ, Ademar lopes, Oncologista, vice-presidente do hospital AC Camargo, sabiamente fazem colocações sobre isso. Será que o aumento na quantidade de médicos no SUS suprirá, de fato, o bom atendimento na saúde pública? Será que o aumento na quantidade de médicos fará com que a desejada infra-estrutura nos centros médicos de nosso país magicamente ‘saiam da cartola’ ?
Senhores governantes, especialmente presidente Dilma, vamos ser mais pensantes/realistas e menos eleitoreiros? Vamos oferecer respostas mais concretas ao povo brasileiro? Todos nós, brasileiros e brasileiras, trabalhamos e pagamos para isso, não é mesmo?

Eveline Cavalcante

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